É só por hoje, ao menos isso eu aprendi

♫ Jason Mraz – I Won’t Give Up

Eu sou viciada em tristeza.
Não, não é motivo de orgulho, nem uma ideia louca. É uma (com o perdão da palavra) “triste” constatação de quem conseguiu aprender a assumir um vício.
E como qualquer vício, você precisa estar alerta a cada dia, assim como o álcool, ou outra droga.
Tudo começou na adolescência. Eu ficava um dia triste, outro não, outro sim. E aí começou o flerte: ficar triste me fazia ouvir músicas tristes (muito de Legião Urbana), ler livros tristes (Augusto dos Anjos era presença constante) e tudo isso agravava meu estado. E eu já não tinha mais o controle disso.
Mas comecei a perceber que não podia mais viver daquela forma. Eu precisava parar.
Foi então que eu descobri…o humor e todas as suas facetas: ironia, sarcasmo, crítica, irreverência, deboche, acidez.
Comprei muitos livros de piadas (sim, eram do Casseta e Planeta), de crônicas bem humoradas, de romances com personagens engraçados. Fiquei apaixonada por Millôr, Luís Fernando Veríssimo, Quino. Assisti muitos seriados, esquetes de humor (Monty Python vicia. E As Olívias.), comédias, comédias românticas, jogos de improviso (amor aos Barbixas) e até stand-up.
E todo o tempo canalizado para isso me fez esquecer do meu vício.
E os dias foram passando.
E hoje estou aqui.
Eu ainda não estou curada. Talvez nunca fique. Aprendi que é preciso viver um dia de cada vez, que o vício é maior que eu e não posso vencê-lo, mas posso ignorá-lo.
Mas vez em quando bate uma tristeza pequena e meu cérebro ex-viciado, que sempre quer mais e mais de tudo, cria seus mecanismos para aumentar a tristeza, que vai me consumindo, consumindo meu tempo, consumindo minhas forças.
Mesmo sem ânimo pra lutar, eu continuo respirando, apenas para manter meu corpo vivo, só até o dia seguinte. Porque não há nada como uma boa noite de sono entre dois dias. Porque o sol vai voltar amanhã.
Porque sei que amanhã sempre pode ser um dia melhor.

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