Mais do mesmo

♫ Hooverphonic – Anger Never Dies

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Tem sempre uma semana do “saco cheio”.
Saco cheio das pessoas.
Saco cheio da sua vida.
Saco cheio da sua cara.
Dá até vontade de  ser outra pessoa, em outro lugar, longe.
Ser um monge com voto de silêncio por um mês.
Ser eremita numa montanha isolada.
Ser Amyr Klink e navegar, solitário, pelos oceanos.
E isso é porque a rotina massacra o ânimo. SEMPRE as MESMAS coisas. As mesmas pessoas. Os mesmos assuntos. Os mesmos afazeres.
E não é que falta a iniciativa ou a criatividade de enxergar as pequenas felicidades ou encarar cada dia como um aprendizado.
É que, vez ou outra, a gente se depara com a realidade crua, estática e cinzenta que é a rotina.

E assim, a gente vai morrendo um pouquinho a cada dia…

Pequeno manual sobre como irritar a Virgínia

♫ Sinead O’Connor – Nothing Compares To You

Eu quase nunca fico irritada. Tá, tá bom, impaciente sim, muitas vezes, mas é coisa temporária, não dura mais que algumas horas. Mas brava mesmo, com ódio mortal, é raríssimo.

Dias atrás estive lendo aqueles “horóscopos humorados” que dizem como irritar uma pessoa do seu signo. Baseada nessa ideia, e me apossando de alguns daqueles “ensinamentos” eu explico como se faz para me deixar irritada. (Detalhe: meu signo é Aquário).

Seja folgado – Não há defeito pior numa pessoa do que ser folgada, aquela pessoa que não se toca que está passando do limite.

Ao encontrá-los, dê um longo abraço e fique apertando-o contra o peito,
emocionado, lacrimejante
– nada contra abraços (adoro), mas imagina uma pessoa sufocando você sem largar.

Insista para que eles liguem várias vezes por dia para posicioná-los de seus movimentos – me tira do sério alguém querer me controlar, querendo sabe o que estou fazendo, onde, como, com quem e por que. Tem gente que quer saber até o que você está pensando.

Diga a eles o que “têm que fazer “e “quando e como fazer” – como se você não soubesse o que fazer, não entendesse de coisa alguma e sempre precisasse de ajuda.

Exiba seus valores materiais na cara deles, tipo carro, jóias, dinheiro, posição social – estas coisas que significam tanto para as pessoas e elas fazem tanta questão de esfregar na cara dos outros e pra mim é tipo: “Ah, legal. Bom pra você.”

Pergunte sempre – “O que é que você está pensando? – Acho que o mínimo de resquício de privacidade que temos hoje em dia é nosso pensamento, e alguém querer saber o que você está pensando é tipo muita falta de noção.

(Cometa todos os atos anteriores comigo e, receba, inteiramente grátis, um belo palavrão do meu repertório oculto, tá?)

Felizes aniversários

♫ Dalva de Oliveira – Bandeira Branca

(Este post está sendo publicado com 1 ano de atraso. Mas ainda se mantém atual pra mim).
Então completei 30 anos. Três décadas! Uma balzaquiana já!
E foi um dia cheio de boas surpresas. Uma delas foi uma ligação inesperada do primeiro namorado que tive.
Tivemos um relacionamento muito singular e especial e ao final fizemos a promessa mútua de que sempre seríamos amigos. Com o passar dos anos, os compromissos e a falta de tempo não nos falamos muito e agora veio essa ligação. E por quê? Porque eu não fechei as portas.
Isso me fez pensar em outros relacionamentos. Entre 7 bilhões de pessoas nós deixamos tão poucos fazerem parte de nossa vida e entrar em nosso universo particular.
Porque fechar as portas quando isso acaba? Ainda que tenha acabado de forma triste e causado mágoa aos dois lados.
Não adianta viver três décadas se não se aprende a relevar as falhas que qualquer um tem.
Não feche todas as portas para quem um dia fez você feliz. Se dê a chance de receber um telefonema especial num dia especial.

346866452467 filmes para ver antes de morrer.

♫ Otis Redding – These Arms Of Mine

Fiquei cansada de ouvir todo mundo me perguntar: “Você viu o filme tal?” e responder um humilhado “Não”. Ficar sentada não ia ajudar muito e a desculpa de não ter grana pra ir ao cinema não cola mais em tempos de internet e downloads né? Então decidi colocar o atraso em dia, ou quase, afinal lista de filmes é sempre interminável. Até tento fazer um planejamento pra assistir filmes de mesmo diretor ou tema no mesmo mês, mas é difícil porque a cada dia você sente vontade de ver uma coisa.
Então para este ano quero ver pelo menos 4 filmes por mês. Passei meses baixando muita coisa e acabei acumulando uns 100 filmes no HD. Agora é hora de fazer a pipoca e curtir!

A sexlogia (?)  digo, a dupla trilogia de Star Wars na ordem numérica  já foi! \o/

P.S.: Se você pretende fazer o mesmo, sugiro abrir uma conta no Filmow um site em que você pode descobrir filmes, marcar os que já viu, os que vai ver e os seus favoritos.

Pain Lies On The Riverside

♫ Bruce Springsteen – You’ve Got It

Você é como um porco-espinho.
Eu quero ficar perto de você e me aproximo, mas você acaba me machucando com seus espinhos.
Eu saio correndo de dor. E quando passa, eu volto, porque quero ficar perto de você.
Só que você faz de novo. E de novo.

Um dia a ferida será muito profunda ou já terei me cansado das inúmeras cicatrizes.
E irei procurar outro bicho pra me aproximar e ficar ao lado.
E não voltarei mais.

The more I know, the less I understand…

♫ India Arie – The Heart Of  The Matter

Hoje estava andando pela rua, num bairro movimentado, sob um sol escaldante. Quando parei na esquina para atravessar a rua vi um daqueles “carros” de pessoas que recolhem papelão na rua, estava sendo puxado por um cavalo ou jumento, não sei bem. Sei que parei e fiquei um bom tempo olhando pra ele. Parecia estar sofrendo muito, respirava com força, uma das patas machucadas e ele nem a encostava no chão. Senti raiva de quem maltrata bicho assim, senti pena de vê-lo naquele estado, senti que deveria fazer alguma coisa ou então sentiria a culpa de quem é cúmplice do sofrimento alheio. No impulso do momento não sabia o que fazer. Soltaria ele do carro? Chamaria a polícia? Tiraria uma foto e publicaria numa rede social para expor o caso? Pensei que ao menos aliviaria o incômodo que ele estaria sentindo se lhe desse água. Dei a volta no quarteirão procurando um lugar que vendesse um balde. Depois de um tempo consegui encontrar  num mercado, fui ao banheiro, enchi com água e voltei ao lugar onde estava o bichinho. Ele já estava indo embora, com um homem guiando junto com 3 ou 4 pessoas da família. Senti mais raiva de ver aquelas pessoas usando o animal, senti insatisfação por não ter chegado a tempo, senti impotência de não ter feito nada significativo. Joguei á água do balde na sarjeta e com ela foi embora a esperança de fazer o bem a um animal sem voz.