Mi Buenos Aires Querido

♫ Carlos Gardel – Volver

Bem, acabei de voltar de Buenos Aires, onde passei 5 dias. Foi minha primeira vez na cidade. Fiz planos para ir a muitos lugares e comer muitas coisas, mas em 5 dias nem tudo é possível. Vou deixar alguns registros pessoais da minha estadia:

  • Acaba sendo muito mais proveitoso descer no Aeroparque porque a distância para o centro e principais bairros é bem pequena. Economia de táxi ou ônibus, dependendo da opção escolhida.
  • Se você optar por sair do Aeroparque e pegar um ônibus, basta atravessar a rua. Aproveite para ir ao Centro de Informações Turísticas que fica no ponto mesmo e pegue um mapa e algumas dicas com o pessoal.No primeiro andar do aeroporto, em um quiosco se vende o SUBE, cartão para utilizar no ônibus e metrô, a recarga é feita lá mesmo na máquina do quiosco. Eu recarreguei cerca de 70 pesos para usar nos 5 dias que fiquei e foi suficiente. Não usei nenhum táxi, somente ônibus (para ir e voltar do aeroporto) e metrô.
  • É lindo descer do aeroporto (Aeroparque) e já dar de cara com o Rio de La Plata. Vale atravessar a rua e tirar uma foto
  • Fiquei hospedada na Recoleta, próximo à estação Las Heras. Um ponto de ótima localização.
  • Já que estava na Recoleta minha primeira parada foi o Cemiterio que é lindo, cheio de belas obras. Túmulos de Eva Perón e Domingo Sarmiento são obrigatórios (gostaria de ter ido ao túmulo de Carlos Gardel, mas fica em outro lugar, no Cemitério La Chacarita).
  • Outra atração imperdível é a Floralis Generica que é muito maior do que eu pensava e se abre de acordo com o sol.
  • Há também o Museu Nacional de Belas Artes com obras famosas (Modigliani, Di Chirico, Dalí, Manet, Van Gogh, Monet, Degas, Picasso, Diego Rivera, Kandinsky, Chagall entre outros). Entrada gratuita.
  • Na visita a Plaza de Mayo, estão o Cabildo (entrada $10 pesos), a Catedral e a Casa Rosada. No Cabildo gostei da sala que possui um mapa no chão. Na Catedral está o túmulo do General José de San Martín. E as visitas ao interior da Casa Rosada são gratuitas, mas precisam ser reservadas pelo site e só acontecem aos finais de semana, recomendo DEMAIS, porque é lindo por dentro também. Se for à praça numa quinta às 15:30 poderá ver as mães da Plaza de Mayo.
  • O Museu Casa de Carlos Gardel também foi muito agradável (entrada $10 pesos), foi onde ele passou os últimos anos de sua vida.
  • Em Palermo é possível visitar o Jardim Botânico (entrada gratuita), o Rosedal (entrada gratuita), o Zoológico (não fui) e o Jardim Japonês (entrada $70 pesos), estão todos perto um do outro mas é preciso andar um pouquinho. No final de semana as pessoas estão andando de bicicleta, patins, skate, deitadas na grama enfim, aproveitando a área verde.
  • Fiz o Paseo de La Historieta que é um caminho pelo qual você passa e vê vários bonecos de personagens de humor argentinos. Inicia-se com a escultura da Mafalda e segue pelas ruas próximas até chegar no Museo del Humor. Na internet você encontra o mapa do Paseo e pode seguir tirando fotos com todos os personagens.
  • No meio do caminho você passará por Puerto Madero, por favor, ande pelas margens do Rio, ela Puente de La Mujer e visite o Museu Fragata (entrada $10 pesos). Vale a pena.
  • Passei pelo bairro Chinês (não é bem um bairro, apenas umas 4 quadras com lojas) e pelo bairro Once (nunca tinha visto tanto judeu na minha vida) onde está o Shopping Abasto que possui o primeiro Mc Donald’s Kosher fora de Israel. Achei bem curioso.
  • Sobre as comidas provei os sorvetes da Freddo e da Persicco. Todos muito bons. Comi medialunas, milanesa, choripan, tic tac sabor pipoca, alfajor, doce de leite, sanduiche de miga, submarino (leite quente com uma barra de chocolate mergulhada), chocolinas, pizza e claro, empanadas. Recomendo provar.
  • Dica para ajudar a escolher alfajor: vi esta dica na internet e me ajudou a escolher entre tantos. Se estiver escrito na embalagem “Baño de Reposteria” quer dizer que eles usam chocolate hidrogenado no alfajor. Opte pelos que não tem este termo (leia nos ingredientes do produto). Os que comprei foram Cachafaz, Milka, Aguila. E doce de leite eu comprei San Ignacio, Patagônia, Munchis (ainda não provei todos). Na calle Lavalle tem uma lojinha tipo chocolateria, que vende  chocolate, alfajor, chá. Dá pra conseguir bons preços. Nos quioscos também pode-se encontrar bons preços.
  • A água de garrafinha não tem o mesmo gosto da água das garrafinhas do Brasil (é um gosto mais ruim), e achei que o preço é caro, paguei entre 3 e 9 reais pelas garrafinhas que bebi.
  • Em relação às compras, tudo vai ficar mais barato se fizer um bom câmbio. Eu optei por trocar apenas 100 reais no aeroporto para comprar o cartão do metrô, estava $3,90 cada 1 real. Mas acabei trocando o restante do dinheiro no Câmbio Mais Brazuca (tem página no facebook), que era mais seguro e estava a $4,55 cada 1 real. Fica na Calle Florida, 686, 1A.
  • Visite os supermercados para ver os produtos diferentes que pode encontrar. Até Seven Up eu vi (ainda vendem lá). Mas lembre-se: eles cobram pelas sacolinhas de supermercado, $0.45 ou $0.55 (varia em cada supermercado). Você pode pagar por elas, ou fazer como eu, que ia ao supermercado muitas vezes por dia (entrava em todos que via) e levava minha própria sacolinha na bolsa. Supermercados: Coto, Disco, Dia, Carrefour (os mais comuns).
  • A farmácia mais comum é a Farmacity, mas também há a Pigmento (para maquiagem). Os preços são bons, mas encontrei no supermercado alguns produtos com preço mais barato que na farmácia.
  • Você vai notar que os metrôs possuem trens e estações mais antigas, mas a Linha H, amarela é um exemplo de novidade, os trens estão mais modernos, as estações são bem novas.

Não se deixe levar pela rixa entre brasileiros e argentinos. Aproveite a cidade, observe os hábitos das pessoas e descubra que há muita coisa boa na terra dos hermanos!

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Chile e seus encantos

♫ La Bouche – Fallin’ In Love

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Além da beleza da Cordilheira com neve, das ruas muito arborizadas, da grande quantidade de parques o Chile me conquistou por outro fator: a comida. Fui pega pelo estômago!
Enquanto estive lá quis experimentar tudo o que pude. E deixo aqui uma lista de sugestões:

  • Frutas: Membrillo e Pepino Dulce.
  • Sorvetes: sabores diferenciados como Rica Rica, Quinoa, Coca, Algarrobo, Canela, Chañar, Chirimoya Alegre, Laranja com Gengibre, Framboesa com menta e Rosa.
  • Lanche: Completo (cachorro quente) de qualquer sabor com bastante Palta!
  • Entrada: todo meu amor pela Pebre.
  • Pratos principais: Pastel de Jaiba, Pastel de Choclo, Empanadas de todos os sabores.
  • Doces: Chumbeque, Picarones, Cuchufli, Sopapilla (pode ser doce ou salgada).
  • Bebidas: Pisco Sour, Mote com Huesillos.

Se entregue a novos sabores!

Viajar é fatal para o preconceito, a intolerância e as idéias limitadas; só por isso, muitas pessoas precisam muito viajar. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas, vegetando num cantinho do mundo a vida inteira. (Mark Twain)

Guerra fria

♫ Rockwell – Knife

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Primeiro coloquei o elmo para evitar os tapas no rosto.
Depois coloquei o peitoral, contra os golpes desferidos pelas costas e contra os ataques  ao coração.
A manopla permitiu que as minhas mãos calejadas segurassem melhor a espada e o escudo.
Nas pernas os coxotes, as grebas e os sapatos tornaram mais difíceis as rasteiras e amortizaram as quedas.
Por fim, coloquei o resto da armadura.
Mas isso já faz tanto tempo que meu corpo se moldou a ela com extrema perfeição.
Ainda convivo com este peso do metal frio sobre o corpo.
Sob esta fortaleza fui a mais forte em muitas batalhas. Mas apenas com ela.
Que o inimigo nunca saiba que arrancá-la será doloroso e mortal.

 

O que você vê quando se olha no espelho?

♫ Bon Iver – I can´t make you love me / Nick of time

Eu vejo uma menina nariguda de olhos bonitos e cabelo de cor bonita. Ela é baixinha e poderia ter um corpo mais bonito se cuidasse mais dele. Às vezes ela passa mais tempo na frente do espelho fazendo caras, bocas e poses para ver se encontra modos de se achar bonita e, em alguns momentos, até consegue. Em outras vezes, mal levanta a cabeça e se olha rápido porque não gosta tanto do que vê. Também é possível vê-la dançar enquanto se olha e, na sua cabeça imagina que dança melhor do que, de verdade, faz.

Apesar de tudo, aprendeu a se aceitar e parou de sofrer tanto com a aparência.

Esta menina já ouviu muitas vezes que é possível conhecer muito sobre uma pessoa olhando em seus olhos. Ela bem que tenta desvendar os seus, para saber se aquelas tristezas vividas podem ser descobertas mas não vê nada além de pupila, íris e cílios no espelho.

Ah! Ela já foi muitas pessoas diferentes: modelo, dançarina, cantora e até Cleópatra e freira, bastando apenas variar a forma de usar a toalha na cabeça e no corpo para interpretar os personagens.
Para a sua felicidade, ainda bem que o espelho só reflete, calado, tudo o que vê.

É só por hoje, ao menos isso eu aprendi

♫ Jason Mraz – I Won’t Give Up

Eu sou viciada em tristeza.
Não, não é motivo de orgulho, nem uma ideia louca. É uma (com o perdão da palavra) “triste” constatação de quem conseguiu aprender a assumir um vício.
E como qualquer vício, você precisa estar alerta a cada dia, assim como o álcool, ou outra droga.
Tudo começou na adolescência. Eu ficava um dia triste, outro não, outro sim. E aí começou o flerte: ficar triste me fazia ouvir músicas tristes (muito de Legião Urbana), ler livros tristes (Augusto dos Anjos era presença constante) e tudo isso agravava meu estado. E eu já não tinha mais o controle disso.
Mas comecei a perceber que não podia mais viver daquela forma. Eu precisava parar.
Foi então que eu descobri…o humor e todas as suas facetas: ironia, sarcasmo, crítica, irreverência, deboche, acidez.
Comprei muitos livros de piadas (sim, eram do Casseta e Planeta), de crônicas bem humoradas, de romances com personagens engraçados. Fiquei apaixonada por Millôr, Luís Fernando Veríssimo, Quino. Assisti muitos seriados, esquetes de humor (Monty Python vicia. E As Olívias.), comédias, comédias românticas, jogos de improviso (amor aos Barbixas) e até stand-up.
E todo o tempo canalizado para isso me fez esquecer do meu vício.
E os dias foram passando.
E hoje estou aqui.
Eu ainda não estou curada. Talvez nunca fique. Aprendi que é preciso viver um dia de cada vez, que o vício é maior que eu e não posso vencê-lo, mas posso ignorá-lo.
Mas vez em quando bate uma tristeza pequena e meu cérebro ex-viciado, que sempre quer mais e mais de tudo, cria seus mecanismos para aumentar a tristeza, que vai me consumindo, consumindo meu tempo, consumindo minhas forças.
Mesmo sem ânimo pra lutar, eu continuo respirando, apenas para manter meu corpo vivo, só até o dia seguinte. Porque não há nada como uma boa noite de sono entre dois dias. Porque o sol vai voltar amanhã.
Porque sei que amanhã sempre pode ser um dia melhor.

Mais do mesmo

♫ Hooverphonic – Anger Never Dies

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Tem sempre uma semana do “saco cheio”.
Saco cheio das pessoas.
Saco cheio da sua vida.
Saco cheio da sua cara.
Dá até vontade de  ser outra pessoa, em outro lugar, longe.
Ser um monge com voto de silêncio por um mês.
Ser eremita numa montanha isolada.
Ser Amyr Klink e navegar, solitário, pelos oceanos.
E isso é porque a rotina massacra o ânimo. SEMPRE as MESMAS coisas. As mesmas pessoas. Os mesmos assuntos. Os mesmos afazeres.
E não é que falta a iniciativa ou a criatividade de enxergar as pequenas felicidades ou encarar cada dia como um aprendizado.
É que, vez ou outra, a gente se depara com a realidade crua, estática e cinzenta que é a rotina.

E assim, a gente vai morrendo um pouquinho a cada dia…