Listen to me

♫ Keane – Bedshaped

Hoje me ocorreu um pensamento: quando você fala ao telefone com alguém consegue identificar mais ou menos quantos anos a pessoa tem pela voz dela, porque a voz também tem idade. Não é louco pensar que um som pode envelhecer? Que um som também “tem vida”? Porque a ideia de som presume algo sempre imutável, estático. Um dó sempre vai ter o som de um dó. Um toque de telefone sempre vai ter o mesmo som. Assim como uma buzina de carro, ou o badalar de um sino, o tilintar de uma moeda, mas não uma voz. Ela vai ser “sempre igual”, mas ao mesmo tempo, “diferente”.
Aos caçadores da eterna juventude, vai restar criar uma “plástica do voz”, porque ainda que a aparência possa ser modificada, alguma coisa no corpo vai continuar denunciando a passagem dos anos.