Who’s gonna drive you home tonight?

♫ David Bowie – As The World Falls Down

Uma vez andava pelas ruas do Centro do Rio – onde circulam vários homens de terno e gravata – daí um pensamento me veio à cabeça: “Será que as decisões tomadas por algum desses homens têm influência direta na minha vida?”  Bem, talvez não seja diretamente mas, certamente, todos os profissionais participam de algum aspecto em nossa existência porque estamos interligados nessa rede que é a sociedade. Já pensou sobre isso?
Eu percebi, recentemente, o quanto os motoristas de ônibus fizeram parte da minha vida. Desde pequena eles me levaram à escola por anos (a alfabetização, a 1ª nota vermelha, o 1º beijo atrás do ginásio da escola…), às aulas de ballet, piano, natação, cursinho,  à prova do vestibular, depois veio a faculdade, a pós-graduação, os empregos, os encontros com namorados e com amigas, as fugas de casa, aqueles shows legais (Zeca Baleiro, Mudhoney…), algumas viagens (Rio de Janeiro, Guarapari, Brasília, Minas Gerais), as visitas à maternidades e funerais…
Os motoristas de ônibus não estiveram lá comigo o tempo todo, mas só pude participar de todos estes momentos alegres/tristes/difíceis/estranhos da minha vida, porque eles foram a ponte. E agora, sempre que observo um, me lembro de tudo isso e dou maior reconhecimento à sua profissão, entendo que muitos problemas do transporte público não são culpa dele (que é muitas vezes desacatado por isso) e vejo quanta coisa ele precisa aguentar todos os dias no trabalho. E, claro, não apenas ele: saber valorizar o emprego do outro é um  exercício de compreensão necessário que deve ser feito diariamente.

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