17 anos e fugiu de casa, às 7 horas da manhã do dia errado, levou na bolsa umas mentiras pra contar, deixou pra trás os pais e o namorado…

Paralamas do Sucesso – Quase um segundo

Minha mãe conta que, quando era mais nova, morando na fazenda, queria ir à escola. Mas minha avó não deixava porque achava que ela deveria cuidar dos 10 irmãos mais novos. Aí minha mãe fugiu de casa, para morar na cidade e conseguir estudar. Anos depois veio para a capital e aqui teve seus dois filhos.

Já comigo foi tudo muito precoce. Aos 2 ou 3 anos eu calçava as havaianas da minha mãe, pegava meu “Coração” (era um daqueles Ursinhos Carinhosos de pelúcia, que guardo até hoje) e abria o portão pra “fugir” pra rua. Sentava-me na calçada da Star’s Chic (uma loja popular de sapatos infantis) ou me deitava nos colchões da Arapuã (antiga loja de móveis). Os vizinhos já conheciam esses meus hábitos e estavam sempre me vigiando, para o alívio da minha mãe, que devia ficar louca com meus sumiços.

Aí, cresci (pelo menos no tamanho). Com 14 anos, no auge do ímpeto pueril e da rebeldia sem causa, tive muitos problemas com a minha mãe, que sempre foi bastante controladora. Eu ouvia muitos “nãos” e sem conseguir entender o por quê, só sentia revolta e muita raiva dela. Eu não sabia conversar, não sabia dizer as coisas que sentia, só sabia ser malcriada. E era briga todo dia.
E num dia de janeiro, cansada de tudo aquilo (e também por alguns outros motivos) coloquei o meu diário e umas peças de roupa na bolsa, peguei uns trocados e fugi de casa. Passei dois dias vagando sozinha por aí (pra contar todas as coisas que fiz e os lugares onde estive, precisaria escrever um outro texto enooorme). O fato é que acabei voltando pra casa. E as coisas ficarem bem por um tempo.

No mesmo ano, em julho, novos problemas em casa, nova fuga, dessa vez eu tinha mais dinheiro, algo em torno de 100 reais, fiquei 5 dias fora, passei um dia todo no shopping, vendo 4 filmes no cinema,  dormi na casa de uma amiga, menti pra muitas pessoas sobre onde estaria, apareci na seção de “desaparecidos” na tv (aliás, a escola inteira me viu), fui “resgatada” no 16º andar de um prédio pelos bombeiros às 7 da matina (enfim, outro texto longo pra contar essas histórias). Novamente voltei pra casa ao fim de tudo. Daí minha mãe me colocou num psicólogo (aliás, em dois).

Aos 18 anos, já na faculdade, novas batalhas na guerra familiar. Depois de uma briga feia, ouvi a pior das frases que minha mãe já havia dito. Foi a gota d’água, peguei uma porção de pertences e saí de casa. Eu estava mais do que cansada. Passei 6 meses morando fora. E as brigas continuavam. Foi um período de caos, dentro de mim e ao meu redor. Tive muitas pessoas que ficaram ao meu lado e vivi experiências incríveis. Mas passei por muitas decepções também, por problemas financeiros, amorosos, com amigos, com inimigos, comigo mesma. E voltei pra casa. As coisas ficaram bem. E ainda estão. =)

Não sei porque tive tantos “ataques súbitos de fuga” na vida, mas sempre me vem à cabeça a história que minha mãe contava da vida dela. Claro que, entre o que ela fez e o que eu fiz, há muita diferença. Nem há comparações.

Essas são histórias que nem parecem que foram vividas por mim. Quando me lembro daqueles dias, tenho a impressão de que tudo foi apenas um filme que assisti. Não posso dizer que me orgulho de ter feito isso, mas também não digo que me arrependo. Assim como tudo mais o que já vivi, serviu para me transformar no que sou hoje. E, com o tempo, passei a me entender e entender mais a minha mãe e todos aqueles “nãos” dela. E descobri o principal: fugir não resolve seu problema com os outros, porque é você que tem problemas para se relacionar com eles. Para onde você for, sua insatisfação vai junto.

Reforma

KT Tunsdall – Suddenly I See

Há um mês a minha casa está em reforma. Não há nada pior que permanecer aqui durante este período. Porque quem pode, passa uns dias num hotel e só volta quando está tudo lindo e limpo. Mas eu não posso, lamentavelmente.
Os móveis estão todos amontoados em dois ou três cômodos, outros foram para o lixo. Há uma camada de pó em cada mínimo objeto. E nessa história, quando a parte “Poeira” acabar, haverá ainda o capítulo “Pintura” e, para finalizar, “A Faxina“. Não dá pra dizer o que é pior.
Mas confesso que não sabia que possuía tanta tranqueira e tanto papel acumulados nesses anos. Esta “Faxina” é coisa que me assusta. Se eu já levo 1 semana pra dar uma limpeza total no meu quarto, então imagine na casa toda. 😯

De qualquer forma, qualquer sumiço nas semanas futuras já se encontra explicado.

Explode na boca!

♫ Cídia e Dan – You Make Me Feel Brand New

Certa vez, numa páscoa, comprei um ovo de chocolate branco cheio de “coisinhas” coloridas que “explodiam na boca”. Enquanto ia derretendo na boca, as suas partículas coloridas iam fazendo “ploc, ploc”. Achei um barato, pena que nunca mais encontrei chocolate desse tipo. Mas, desde então, pra tudo que for sensacional, eu uso a expressão “explode na boca”.

A minha amiga Gi é fanática por Danette e, de tanto ela falar, um dia resolvi provar. Mas eu estava esperando uma coisa sensacional, um sabor inigualável, espetacular, uma coisa sublime, que explodia na boca. E…era só um creminho de chocolate. Tanta expectativa por nada.

Aí, um dia, andando pelo supermercado, vejo um waffer novo cuja embalagem dizia que ficaria melhor se fosse congelado. Imaginei logo uma coisa maravilhosa, uma surpresa enorme, que explodia na boca e…era só um waffer gelado…nada demais.
Hoje comi outra daquelas comidas com as quais criei muita expectativa: batata Pringles, que todo mundo sempre disse que é óóótima. Estive prorrogando este momento por anos, porque não queria pagar o preço de um daqueles potes, mas acontece que o preço caiu, então passei a prorrogar só porque era uma forma de manter a ilusão, de fantasiar o gosto daquela batata quando pousava meus olhos no pote, dentro do supermercado. ( “Prorrogadora de prazeres” – by Vanilla Sky). Acabei de comprar um mini pote sabor páprica. E o sabor? ah…é só uma batata crocante e temperadinha. Nada tão incomum. Nada demais…

Rehab

James Blunt – Same Mistake

Só quando a gente passa muito tempo sem um objeto de uso diário é que a gente se dá conta da importância dele. Eu passei vários dias sem o computador porque ele estava na assistência técnica (problemas com o HD).
Eu não posso dizer que quase morri sem tê-lo em casa porque seria exagero. Mas fez uma falta danada, porque além de gostar muito de usar orkut, msn e email, o computador serve como jornal para me atualizar das notícias (ou apenas das manchetes do dia); também faz as funções de livro; e é onde posso ver a programação da tv ( e saber de todos os filmes interessantes da semana); é caderno de receitas (para descobrir novas sobremesas), é tv onde assisto videoclipes, programas de tv, filmes e o melhor – sem propaganda entre eles; é aparelho de som, onde só toca o que eu gosto. Sem contar que é onde estabeleço contato com as pessoas que estão longe (e perto também, confesso).
Sei que não devia ser tão dependente, porque esses períodos de desintoxicação são sempre dolorosos, mas não dá pra evitar às vezes…

:/

Did they get you to trade cold comfort for change?

Deborah Blando – Innocence

É clichê: de tudo na vida a gente tira aprendizado. Li em algum lugar outro dia “há coisas que aprendemos com o exemplo das outras pessoas porque a vida é curta demais para cometermos todos os erros possíveis e tirar lição deles“.
Então, de certa forma, é positivo que eu tenha passado por momentos de raiva nos últimos tempos, que tenha ouvido frases que jamais imaginei, que tenha presenciado certas atitudes absurdas, descaso, desleixo, falta de educação, de bom senso, descompromisso. Ao invés de permitir que tudo isso me deixe apática, desesperançosa e indiferente, tenho que me lembrar de tentar não ser assim, de não agir com as pessoas da mesma forma como têm agido comigo. É uma batalha diária, mas já lembrando a velha frase: É só por hoje, um dia de cada vez.