Trechos de “O Retrato de Dorian Gray”:
“Uma fatalidade pesa sobre toda a superioridade física e intelectual, essa espécie de fatalidade que parece seguir, ao longo da história, os passos claudicantes dos reis. O melhor é não sermos diferentes dos nossos companheiros. Os feios e os ignorantes são mais bem aquinhoados, sob este ponto de vista, neste mundo. Podem sentar-se à vontade e bocejar na representação. Se nada sabem do triunfo, são pelo menos poupados da dor da derrota. Vivem como gostaríamos de viver todos, imperturbáveis, indiferentes e sem inquietações. Nem arruínam os outros, nem são arruinados por mãos alheias.”
“(…) Faço grande diferença entre as pessoas. Escolho meus amigos pela sua boa aparência, meus meros conhecidos pelo seu bom caráter e os meus inimigos pela sua inteligência. Um homem deve dar toda importância à escolha dos seus inimigos. Eu não tenho um só que seja idiota. São todos homens de certo valor intelectual (…)”
“Pois bem, o valor de uma idéia nada tem a ver com a sinceridade da pessoa que a exprime. Na verdade, as probabilidades são de que, quanto menos sincero é o homem, mais puramente intelectual a idéia será, uma vez que, nesse caso, não estará contaminada por nenhuma das necessidades, dos desejos ou dos preconceitos dele.”
“É triste ter de admiti-lo, mas não se pode pôr em dúvida que o Gênio dura muito mais que a Beleza. Isso explica por que nos empenhamos tanto em instruir-nos. Temos necessidade, na dura luta pela vida, de algo que perdure, e enchemos o nosso entendimento de futilidades de todo tipo, na inútil esperança de manter o nosso prestígio. O homem culto, bem informado de tudo, é o ideal moderno. Mas a mente deste homem é uma coisa horrível. É como uma miscelânea monstruosa e empoeirada, onde os objetos amontoados custam sempre mais do que valem.”
“(…) E o pior é que, quando se vive um romance, de qualquer espécie que ele seja, acaba-se completamente sem romantismo.”