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Listen to me

♫ Keane – Bedshaped

Hoje me ocorreu um pensamento: quando você fala ao telefone com alguém consegue identificar mais ou menos quantos anos a pessoa tem pela voz dela, porque a voz também tem idade. Não é louco pensar que um som pode envelhecer? Que um som também “tem vida”? Porque a ideia de som presume algo sempre imutável, estático. Um dó sempre vai ter o som de um dó. Um toque de telefone sempre vai ter o mesmo som. Assim como uma buzina de carro, ou o badalar de um sino, o tilintar de uma moeda, mas não uma voz. Ela vai ser “sempre igual”, mas ao mesmo tempo, “diferente”.
Aos caçadores da eterna juventude, vai restar criar uma “plástica do voz”, porque ainda que a aparência possa ser modificada, alguma coisa no corpo vai continuar denunciando a passagem dos anos.

Marepower

♫ The Beatles – Here, There And Everywhere (sugestão do R.W. o primeiro escorpiano que conheci)

Sabe aquelas noites em que você precisa muito descansar mas seu cérebro faz questão de te sabotar? Ontem foi uma dessas…e vejam a pérola de pensamento que veio à mente:
Sabe a expressão “cavalos de potência?” Não gosto dela. Quer dizer, e as éguas? Elas não potência? Não tem força como os cavalos?
Pois quer saber? Quando eu tiver um carro, vou sempre dizer, caso perguntem, que ele possui 500 éguas de potência. Vai ser um grande elogio, mas só para o carro.

Meet me half way

♫ Rod Stewart – Forever Young

Eu moro numa cidade com cerca de 1.300.000 de habitantes ( 2 milhões, se contar a população de toda a região metropolitana) e cerca de 970 mil veículos. É a proporção de 1 veículo para cada 1,3 pessoa, número preocupante para uma cidade que foi planejada sim, mas para apenas 50 mil pessoas. O resultado disso, são pontos de congestionamento espalhados por todo lugar.
AINDA não temos aqui nada tão monstruoso quanto os engarrafamentos quilométricos de São Paulo que duram horas e as pessoas até já se acostumaram a eles e os incorporaram em suas rotinas. Mas a minha dúvida é: o que as pessoas fazem no carro durante essas horas em que ficam presas num engarrafamento? Elas ouvem um audiobook? Assistem a um filme no dvd do carro? Tomam café ou se vestem quando estão muito atrasadas? As mulheres fazem maquiagem? Eu não sei. Se você já viu alguém fazer algo inusitado, no carro, durante um congestionamento conte pra mim e mate essa minha curiosidade. E eu, quando visitar São Paulo pretendo fazer uma coletânea de fotos mostrando esses peculiares detalhes da vida urbana.

O roubo

♫ Donato & Estefano – Mi Dios Y Mi Cruz

Outro dia, num site de notícias, vi a manchete: “Consumo excessivo de doces pode levar ao crime, indica estudo“. Na hora me lembrei de um episódio que me aconteceu quando eu tinha 5 anos de idade: o único roubo que cometi na vida.

Um dia fui a um supermercado com a minha mãe e meu irmão. Não me lembro o que fomos procurar lá, mas eu estava louca por um chocolate e ela não iria comprar. Então, não tive dúvidas quando vi aquele Serenata de Amor na prateleira:  peguei e escondi na roupa. O problema é que enquanto estávamos  na loja fiquei morrendo de medo que algum funcionário olhasse pra mim e visse “ladra” escrito na minha testa. Eu sabia que toda pessoa que comete um crime iria para a cadeia, e pensava que mesmo eu, com 5 anos de idade, seria presa. Pior que isso, ou tão ruim quanto, seria a reação da minha mãe se descobrisse o que tinha feito: eu levaria a surra da década! Bom, saí da loja sem “ser pega”  e fui comer o bombom em casa, escondido, engolindo rápido pra ninguém ver.
No fim, cheguei à conclusão de que roubar aquele chocolate não compensou todo o medo e culpa que senti durante o processo. Não valeu a pena todo o “sacrifício”. Mas aprendi a  lição e nunca mais quis fazer isso.

Every beat of my heart tears me further apart

♫ Chris Cornell – Wave Goodbye

Hoje, aqui na minha cidade, um empresário muito bem-sucedido suicidou-se pulando do 10º andar de seu luxuoso apartamento e, entre as incontáveis perguntas que fazemos, a primeira é “Por quê?”
Saúde, uma casa para morar, comida, família, dinheiro, amigos, um amor correspondido… você pode ter todas essas coisas juntas ou apenas algumas delas. Mas, um dia, algo se quebra por dentro e você começar a ver tudo de forma diferente, fica cansado da sua vida porque tudo parece tedioso, difícil, problemático e parece que não há mais respostas, saídas, escolhas. O que é que mudou? De onde vem esse clique que transforma tudo? Será que não valorizamos suficientemente tudo o que temos? Ficamos ambiciosos demais?
O que pode ser tão doloroso que chega a roubar nossas forças e nosso ímpeto de viver? Quando a vida deixa de ser prazerosa para se tornar um fardo? Como ter a mesma rotina e ainda conseguir senti-la e fazê-la diferente todos os dias? Como transformar o modo como enxergamos o que está à nossa volta?
E o suicídio, por que choca tanto? É um ato de coragem? Ou de covardia? Quem pode dizer que os motivos que levam uma pessoa a chegar a este ponto não são justificáveis? Quais são os parâmetros de comparação para dizer quais problemas (coração partido, solidão, falta de dinheiro etc) são suportáveis, ou não, para uma pessoa?
Eu não posso responder a estas questões. Acho, inclusive, que para 6 bilhões de pessoas há, pelo menos, 6 bilhões de argumentos.
Mas, e você, que motivos tem pra viver?

♫ David Bowie – As The World Falls Down

Uma vez andava pelas ruas do Centro do Rio – onde circulam vários homens de terno e gravata – daí um pensamento me veio à cabeça: “Será que as decisões tomadas por algum desses homens têm influência direta na minha vida?”  Bem, talvez não seja diretamente mas, certamente, todos os profissionais participam de algum aspecto em nossa existência porque estamos interligados nessa rede que é a sociedade. Já pensou sobre isso?
Eu percebi, recentemente, o quanto os motoristas de ônibus fizeram parte da minha vida. Desde pequena eles me levaram à escola por anos (a alfabetização, a 1ª nota vermelha, o 1º beijo atrás do ginásio da escola…), às aulas de ballet, piano, natação, cursinho,  à prova do vestibular, depois veio a faculdade, a pós-graduação, os empregos, os encontros com namorados e com amigas, as fugas de casa, aqueles shows legais (Zeca Baleiro, Mudhoney…), algumas viagens (Rio de Janeiro, Guarapari, Brasília, Minas Gerais), as visitas à maternidades e funerais…
Os motoristas de ônibus não estiveram lá comigo o tempo todo, mas só pude participar de todos estes momentos alegres/tristes/difíceis/estranhos da minha vida, porque eles foram a ponte. E agora, sempre que observo um, me lembro de tudo isso e dou maior reconhecimento à sua profissão, entendo que muitos problemas do transporte público não são culpa dele (que é muitas vezes desacatado por isso) e vejo quanta coisa ele precisa aguentar todos os dias no trabalho. E, claro, não apenas ele: saber valorizar o emprego do outro é um  exercício de compreensão necessário que deve ser feito diariamente.

♫ Third Eye Blind – How’s It Going to Be

Um coração pode ser arrebatado em qualquer momento da vida. E pode ser partido também, acredite. Seja você jovem ou muito experiente. Até porque cada amor é sempre um novo amor, uma relação diferente, com uma pessoa diferente. Depois que você se entrega tudo é tão incerto quanto pular de um precipício: enquanto você se delicia com o voo não se dá conta de como vai ser a queda – suave ou brusca.
Hoje uma amiga veio contar como está sofrendo com a separação de um casamento de 7 anos com um estrangeiro. Disse que já chorou muito, embora tenha sido melhor que as coisas tivessem terminado. Eu já sofri assim também e nesse mesmo instante tantas outras pessoas estão passando pela mesma situação.
Já que evitar o sofrimento é tarefa muito difícil (afinal, todo mundo sabe que nada rima melhor com “amor” do que “dor”), o jeito é encarar a situação e seguir em frente. Claro que os primeiros dias são os mais difíceis e, por isso, os mais prováveis para se cometer atitudes impulsivas (ir atrás da pessoa, beber e ligar pra dizer qualquer coisa, ou até algo pior). É nessa hora que se conta com o apoio dos amigos. Além disso, é preciso manter a mente ocupada com outras atividades do dia-a-dia. Tempo ocioso = ficar pensando nele/nela. Uma coisa que funciona muito bem é evitar o contato por email, telefone e até visual, se possível (evite também vasculhar o orkut e twitter da pessoa, é sofrimento desnecessário). Guardar fotos e pertences que tragam lembranças são uma boa opção (eu não sou tão radical a ponto de rasgar e/ou queimar tudo).
E assim, os dias passam, a dor vai diminuindo até que um dia, sem perceber, você pode se lembrar daquela pessoa “ex-amada” sem nenhum sentimento ruim envolvido. Só como uma história que você conhece de um livro antigo.

Nas palavras do mestre…

“… proponho que assumamos, agora e aqui, o compromisso de conceber e fabricar uma arca da memória, capaz de sobreviver ao dilúvio atômico. Uma garrafa de náufragos siderais lançada aos oceanos do tempo, para que a nova humanidade de então saiba por nós o que as baratas não lhes contarão…”

Gabriel Garcia Marquez

♫ Will To Power – Baby, I Love Your Way

Sabe carta? Aquelas frases que você escreve num pedaço de papel, põe num envelope  e envia pelos Correios? Então, eu ainda sou uma adepta dessa forma de comunicação. E-mail, msn, twitter e blog são ótimos, rápidos, atingem um número incontável de pessoas, mas não tem a mesma graça que esperar o carteiro aparecer na sua casa e entregar o envelope. Aquele que você abre devagarinho com medo de rasgar o conteúdo, puxa o papel de dentro enquanto se senta num lugar confortável e vai saboreando cada linha, rindo sozinha do que lê. Melhor ainda quando vem algum presentinho anexado: uma foto, um enfeite, o que seja. Guardo todas que já recebi nas minhas agendas, pra poder reler quando der saudade.
Hoje escrevi cartas que estavam prometidas desde o ano passado, uma pena que não tinha mais ninguém para mandar outras tantas. Depois de enviadas, resta-me só esperar pela resposta…

♫ Seal – Kiss From a Rose

Final de ano, hora de acabar com o cansaço (físico e mental):  as férias chegam, as festas chegam e depois da virada as coisas se acalmam. É hora de decidir os rumos da sua vida.
Chutar o balde ou ser prudente? Comprar uma bicicleta ou poupar dinheiro? Viajar pra cá ou pra acolá?
Seja o que for, fazer planos é importante, assim como abrir brechas para deixá-los de lado quando preciso for. No próximo ano aproveite para “encher o que está vazio e esvaziar o que está cheio”!

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